10 dias no Egito: história, cultura e aprendizados
- Zahya Viagens

- 15 de mai.
- 4 min de leitura
Nilo, Cruzeiro e Templos
Em fevereiro de 2026 embarquei numa viagem de mulheres rumo ao Egito.
Ah, o Nilo!! Não há melhor forma de conhecer o Egito do que navegando pelo Nilo: ele é a "coluna vertebral" do país. Através da descida do Rio, a partir de Luxor, é que fazemos paradas para conhecer os diversos Templos dispostos ao longo de seu leito. Nesse cruzeiro fluvial, os navios são menores, todas as cabines possuem vista para o rio e alimentação completa, além de um deck com piscina pra relaxar.
Impressionou a grandiosidade dos Templos dedicados aos Deuses: Karnak (dedicado ao deus Amon-Rá); Edfu (dedicado ao deus-falcão Hórus); Kom Ombo (dedicado ao deus crocodilo Sobek e à Hórus) e o maravilhoso Templo de Ísis, Deusa da magia, maternidade e fertilidade, esse último localizado na Ilha Agilkia, ou a ilha dos gatos, onde havia centenas deles nos recepcionando por ali 🐱

Luxor e o Passeio de Balão
O Templo de Luxor, ao contrário dos demais dedicados aos Deuses, foi construído para a renovação do poder do faraó. Logo na entrada principal há estátuas colossais de Ramsés II e um grande obelisco. As colunas foram construídas em formato de Papiro, o precursor do papel. Visitar esse templo todo iluminado à noite foi incrível!
Ahhh, o Passeio de Balão: é imperdível!! Saímos do navio de madrugada pra chegar no local de embarque. Já na chegada o visual é incrível, com centenas de balões sendo inflados pra iniciar o passeio. À medida que ganhamos altitude pudemos ver o Rio Nilo e o quanto ele é importante na mudança da paisagem: próximo dele diversas plantações, tudo ganha vida; e longe dele o deserto...e um nascer do sol incrível!!

Aswan
Os últimos templos e também mais distantes que visitamos, próximos da fronteira com o Sudão, foram os Templos de Nefertari, construído por Ramsés para a sua esposa preferida e o de Abu Simbel, esse último um local pra demonstração do poder egípcio na região dos núbios.
Curiosidade: na década de 1960 esses templos enfrentaram o risco de serem submersos devido à construção da Barragem de Assuã. Em uma operação de engenharia coordenada pela UNESCO os templos foram cortados em mais de mil blocos e remontados peça por peça em um local 65 metros mais alto e mais afastado do rio, em uma montanha artificial para abrigar toda a estrutura. O que se vê hoje são os dois templos na beira do Lago Nasser, formado pela construção da barragem.

O Cairo, Novo Museu Egípcio e o povo egípcio
Já no Cairo, é impossível não achar uma loucura o trânsito local... quase todos os carros têm marcas de batidas e é difícil achar uma faixa de pedestre que seja respeitada. Por isso, o nosso deslocamento na cidade foi feito basicamente de ônibus de turismo e de Uber (sim, eles operam por lá) quando fomos visitar o mega mercado de rua chamado Khan El Khalili, bem parecido com a nossa 25 de Março, porém beeem maior.
Visitamos o Novo Museu Egípcio, inaugurado em Novembro de 2025, e o que mais chama atenção é o tamanho e a localização: em frente às pirâmides de Gizé. O destaque foi a coleção de itens do faraó Tutancâmon, riquíssima, muitos objetos revestidos de ouro e logo na entrada uma estátua imensa de Ramsés II.
Não posso deixar de falar dos egípcios, exímios vendedores, realmente sabem se aproximar do cliente de uma forma inesperada: quando identificavam a nossa nacionalidade, já falavam "aqui é mais barato que as Casas Bahia" ou "do que o Magazine Luiza"... e A-D-O-R-A-M negociar preços, chegando a jogar a mercadoria em cima da gente pra entrarmos na loja.
Importante lembrar que estivemos no Egito no período do Ramadã e com isso pudemos aprender um pouco sobre a religião muçulmana: a rotina das pessoas muda, só se alimentam antes do amanhecer e após o pôr do sol. Com isso, estabelecimentos comerciais também possuem alteração nos horários de atendimento. É um período de leitura do Alcorão, então a partir das 18hs as Mesquitas já anunciam em alto e bom som a hora para as orações. O Ramadã dura 30 dias e a cada ano é antecipado em 10 dias. A sensação é que a cidade ganha outro ritmo no Ramadã, durante o dia mais quieta, e à noite a agitação pra ida às mesquitas, algo bem diferente para nós, ocidentais.

Legado e Espiritualidade
A viagem ao Egito deixa evidente o legado para a humanidade em diversos aspectos: a arquitetura monumental (pirâmides, templos); o desenvolvimento da escrita hieroglífica; avanços científicos como o calendário de 365 dias, medicina, agricultura e técnicas de irrigação.
Na parte espiritual, a crença na vida após a morte e o conceito de julgamento moral (Tribunal de Osíris), no qual as nossas ações na terra seriam julgadas pela pesagem do nosso coração: se fosse mais pesado que a pena da verdade, a alma seria devorada por Ammit (monstro com corpo de leão e cabeça de crocodilo) e se o peso fosse menor ou igual da pena a alma era absolvida. Esta crença refletia a importância da moralidade e da conduta ética na vida terrestre para os egípcios, garantindo que apenas os justos alcançassem o paraíso.



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